Olá, pessoal!
No último mês estive conduzindo uma experiência no meu aquário, que muitos vão querer me enforcar!
Tenho me dedicado a reproduzir algas!
Explico o motivo:
Analisar a mudança que causa em um aquário quando se desliga o CO2 de um dia para o outro, ficando um bom tempo sem manutenção e nem fertilização.
O teste não teve um rigor científico de laboratório, mas todos os parâmetros relevantes foram monitorados.
O estado inicial do aqua era de estabilidade absoluta: 45ppm de CO2 constante, 30ppm de NO3, 5ppm de PO4, 30 ppm de K, Fe entre 0,2 e 1ppm, KH 4, GH 5, temperatura estável de 25,9 +- 0,2°C controlada por termostato digital industrial. Os testes são da Sera e alfakit (esses últimos, testes colorimétricos bem mais precisos, voltados a uso laboratorial), todos calibrados contra soluções de concentrações conhecidas.
O aqua estava em equilíbrio tão perfeito que estava a 4 meses sem limpar os vidros, pois não existia crescimento de algas de tipo algum, as plantas mostravam crescimento extremamente rápido, plantas vermelhas bem vermelhas (chegavam a ficar quase roxas), como nessa foto de fevereiro:

O setup:
Aqua de 250L, 100cm x 50cm x 50cm, com queda dágua por calha e mini bota interna
Sump de 60x40x40 com 6 litros de cerâmica xing-ling e 1,5l de Ista mini quartzite, camada de perlon, bomba de recalque SB 2000.
Filtro interno com 100ml de purigen e camada de perlon, tocado por bomba SB350
Bomba de circulação NY Extreme 1500 de vazão 1500 l/h
Iluminação 2 leds de 50W de 4000lm cada.
Substrato inerte (usava RC Flora Tabs, mas deixei esgotar para esse teste)
Fertilização com sistema Estimative Index RC Flora EIm e RC Flora EIt)
CO2 de cilindro de 2kg com solenóide e timer (ligando 30 minutos antes da luz e desligando 30 minutos antes da luz).
Um mês antes do teste parei de fazer toda e qualquer manutenção no aqua (nem limpeza dos perlons, nem regeneração do purigen).
Antes de terminar o CO2, medi o consumo de nutrientes da plantas e cheguei ao seguinte resultado:
NO3: 12ppm por semana
PO4: 3,6ppm por semana
K: não analisado
Fe: 0,2ppm por dia (por consumo de plantas, oxidação e precipitação)
CO2: mantido em 45ppm, cilindro de CO2 durava 1 mês. Cerca de 7 a 10 bolhas por segundo, injetado na sucção da bomba de recalque e espalhado pela spray-bar.
Quando o CO2 acabou, medi os seguintes parâmetros:
NO3: 30 a 32 ppm
PO4: 4,5 a 5,5 ppm
K não medido
Fe 0,7 ppm
Ausência absoluta de algas nos vidros, nas plantas, no tronco e no substrato.
Na primeira semana apareceram os primeiros focos de peteca nas pontas das folhas. Aumento de algas GDA.
Na segunda semana, as folhas da Aponogeton ulvaceus começaram a derreter (perda de material por necrose). Das 12 folhas iniciais, 3 morreram. Petecas aumentaram visivelmente nas bordas das folhas, GDA cobriu completamente as folhas das plantas vermelhas. Limnofilas aromáticas começaram a soltar as folhas inferiores.
Na terceira semana, das 12 folhas iniciais da aponogeton, 8 desintegraram. Petecas estailizadas, início do aparecimento das algas staghorn. Outras algas em estágio estável, sem aumento de população. Início do aparecimento de tapetes de ciano (NO3 = 5ppm e PO4 2ppm).
Na quarta e última semana, houve um grande aumento das algas staghorn, as petecas continuam estáveis. Início de algas filamentosas nas bordas das folhas mais altas. GDA cobriram completamente as Ludwigias. Aponogeton conta com 1/4 de 1 folha somente, das 12 iniciais. Cianos formando tapetes extensos, o maior com quase 20cm de diâmetro.
Com o tempo os nutrientes foram se reduzindo, o nitrato chegou em 2ppm e o PO4 em 0,5ppm. Um consumo muito mais baixo que se estivesse usando o CO2.
(vale salientar que já fiz testes de hiperdosagem de nutrientes a vários meses atrás, para ver se haveria o desencadeamento de algas devido a excesso de nutrientes, mantendo NO3 maior que 60, PO4 em 15ppm e Fe maior que 1 ppm. Mantendo o CO2 estável, não houve aparecimento de absolutamente nenhum tipo de alga, manti o aqua nessas condições por 2 meses e condições estáveis, quando voltei aos parâmetros que mencionei no início do texto, novamente sem o aparecimento de nenhuma alga).
Seguem algumas fotos do estado atual (fotos tiradas hoje, 31 dias após a parada do CO2, comparem com a primeira foto):
Essa planta no meio é uma Ludwigia (que na foto anterior aparece bem roxa, no lado direito do aqua). Suas folhas estão verdes, tampadas por GDA (Green Dust Algae), as folhas da Criptocoryne ao lado exibe focos de petecas nas bordas. A Ludwigia exibe sinal clássico de deficiência de CO2, folhas em forma de concha virada para baixo:

Nessa foto abaixo dá para ver alguns tufos bem saudáveis de petecas, staghorn (os fios solitários mais grossos) e o estado das folhas da microsorum, toda esburacada.

Na foto abaixo dá para ver o estado das folhas das Criptocorynes, exibindo crescimento de algas em suas bordas e sinais de deficiência de inicial de fósforo/nitrogênio (manchas amarelas nas folhas) e sinais de deficiência de CO2 (pontas curvadas para baixo, compare com a primeira foto, dela saudável, ela está bem no meio do aqua, com suas folhas eretas).

Nessa foto mostra um pequeno tapetinho verde de cianobactérias. Elas são bactérias fotossintetizantes oportunistas, pois aparecem em condições onde o NO3 está muito baixo, já que elas conseguem o retirar do próprio ar.

O que devo fazer em seguida?
Para espanto de muita gente, que diz que se deve parar de fertilizar em caso de crescimento excessivo de algas, vou voltar com o CO2, Estimative Index com força total e sifonagem, limpeza dos perlons e regeneração do purigen.
Alguém quer apostar que reverto a situação em menos de 1 mês?
O que quero provar com isso?
Quero provar que não é o excesso de nutrientes que desencadeia a reprodução das algas, e sim as condições limitantes para as plantas.
Na natureza, as algas só crescem quando tem oportunidade, que é justamente quando sentem uma mudança súbita no ambiente (seja o aumento da amônia - devido a decomposição das plantas, seja uma flutuação no CO2, que mostraria um desequilíbrio no processo de crescimento das plantas, etc).
Uma vez voltado as condições favoráveis para as plantas, as algas devem regredir naturalmente, e as mais resistentes serão desintegradas com uma superdosagem progressiva de RC Flora Carbo, que exibe toxicidade para algas unicelulares do tipo filamentosa e rodófitas.
O processo será iniciado no domingo dia 05/08/12 e irei postar fotos semanais do processo, assim como notas.
Venham comigo nessa deliciosa aventura de aprendizado, pessoal!
Abraço